a vida de vadio dos últimos dias levou o indivíduo que regista por sonoridades da portugalidade. eis um novo caminho para um outro fado ou o prenúncio de um luso verão de errância sonora.
[provavelmente foram utilizadas demasiadas letras para dizer que, nos últimos tempos, ando a ouvir mais música feita por portugueses. e não devo ser o único. a utilizar demasiadas letras não sou, de certeza.]
heróis da década de oitenta: manic miner e chuckie egg.
[esta máquina lembra a avenida de moscavide e o largo do beato. de cassete em punho, lá iam os putos, transportados pelo calor de julho materializado no autocarro 28. depois da intensa jogatana, um mergulho na piscina de são bento para aprender a nadar no verão da cidade. o mesmo que trouxe a maria, o golão do van basten e os onze anos de 1988. no final das férias urbanas, a maria ficou em lisboa, mas o timex 2048 foi comigo para a aldeia e o van basten foi campeão da europa.]
hoje, pela manhã, numa cerimónia repleta de rituais, quando ela aproximou a tesoura do peito, pensei que o harakiri estivesse iminente. dadas as circunstâncias seria um gesto honroso e eminente. não o fez. limitou-se a cortar o plástico do envelope que guardava os enunciados dos exames nacionais.